17.9.07

Peixe Grande


Esta noite tirei a sorte grande. Pulando de canal em canal daquela porcaria chamada tv a cabo fui surpreendida pela delícia de poder rever Peixe Grande, do Tim Burton. Mais delícia ainda poder ver junto do marido, nenhum fã de filmes, mas ótima companhia para as delícias da vida.

O filme conta a história do meu avô, o grande contador de histórias da família. Cresci ouvindo suas histórias, algumas suas, e todas tremendamente floreadas por sua imaginação e bom humor. Levei anos para saber que a Lia, remelenta, que não lavava o rosto nem escovava os dentes - o que nos fez, desde pequenas, correr pro banheiro pra lavar o rosto e escovar os dentes antes de sentar à mesa para o café - era uma das várias histórias da Bíblia que meu avô tornava divertida para que chegasse até nós na nossa pequeninice. E como eu adorava a Lia! Teve outras tantas, a história da televisão que meu bisavô imaginou e nomeou antes mesmo de ser inventada, a do Sr. Batavo e suas vacas holandesas que davam leite mais de uma vez por dia!, mas a que eu mais gosto é a história de como meus avós se conheceram, namoraram e casaram. Até hoje olho pra eles e me emociono com o carinho e o companheirismo. Ainda rio cada vez que ele me pergunta o que eu acho da sua mulher e ao elogiá-la ele me oferece uma bebida! Tirei a sorte grande de ter ouvido tantas histórias fantásticas que já fazem parte da minha história. E guardo dentro de mim todo o amor, todo o humor, o companheirismo, o conhecimento, as boas risadas que passamos juntos ao longo da minha vida até hoje.


Cito imprecisamente o texto do filme que diz algo assim...


Um homem conta histórias tantas vezes que as incorpora e elas seguem sendo contadas por tanta gente que o tornam imortal.

Ao meu avô Levy.